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Nos últimos anos, a Aciben e outros grupos da sociedade civil organizada de Ribeirão das Neves intensificou o diálogo com os administradores públicos, especialmente o Governo Estadual de Minas Gerais, para evitar a construção de mais um Casa de Detenção Provisória, com capacidade para 800 presos e 8 unidades prisionais com capacidade para 400 detentos cada uma.
O projeto, divulgado em meados de 2003, desagradou a população de Ribeirão das Neves, pois não levou em consideração as necessidade de uma população que já convive com a insegurança de fugas e rebeliões constantes, a falta de infra-estrutura, a má qualidade dos serviços públicos e o esvaziamento de sua economia local.
Segundo a socióloga Nadja M. Gonçalves, desde 1938, com a instalação da Penitenciária Agrícola de Neves (PAN), o poder público estadual vem transformando o município em “espaço especializado” para abrigar a população carcerária do Estado.
Na década de 60, a cadeia pública da comarca de Belo Horizonte é transferida para o município, dando origem a Casa de Detenção Antônio Dutra Ladeira. Em 1982, inaugura-se a atual Penitenciária José Abranches Gonçalves.
A construção de unidades prisionais não foi acompanhado por investimentos relevantes em infra-estrutura, saúde, educação, habitação, saneamento e geração de emprego. Ribeirão das Neves tem, reconhecidamente, um dos mais altos índices de pobreza e violência da região metropolitana de Belo Horizonte.
O excesso de presídios gera insegurança na população e afugenta investidores. A cobertura sensacionalista de rebeliões e fugas reforça a imagem de uma cidade violenta, abandonada pelo poder público, contribuindo para o estigma de “cidade presídio”.
Em 2005, uma mobilização popular apoiada pela Aciben encaminhou um abaixo assinado contra a construção de novas penitenciárias ao Governo do Estado. As 40 mil assinaturas não foram suficientes para evitar a construção de mais uma unidade prisional, mas garantiram uma contrapartida de R$ 70 milhões em investimentos para minimizar parte dos problemas acarretados pelos presídios já existentes na cidade.
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