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A construção da Penitenciária Agrícola de Neves originou a criação do núcleo urbano da cidade, a partir da migração de parentes de penitenciários. O estigma da penitenciária, agravado pela construção de mais duas unidades prisionais, desestimulou o crescimento econômico da cidade. As principais atividades produtivas estão vinculadas a produção de hortigranjeiros e na exploração de areia nos córregos do município constituem uma base econômica incipiente.
A partir da década de 50, o município, que tinha 2.253 habitantes, passa a sofrer as conseqüências do processo de metropolização, quando lhe é imposta a condição de periferia.
As correntes migratórias, que demandavam os empregos ofertados principalmente no eixo leste/oeste da RMBH e, em menor escala, no eixo norte, esbarravam no alto custo dos terrenos, nos postos de emprego, no processo de retenção especulativa e na ausência de oferta de moradias para a população de baixa renda.
A maior parte desta demanda reprimida passou a se assentar em Ribeirão das Neves, alimentada pela oferta massiva de lotes sem qualquer infra-estrutura. Isto consolidou um processo de ocupação talvez inédito no país, dado à sua velocidade no tempo e o seu caráter seletivo, concentrando exclusivamente população de baixa renda.
O município registrou, na década de 70, um crescimento urbano da ordem de 21,36% a.a., a mais alta taxa registrada na RMBH. Esta dinâmica demográfica pode ser explicada pelos seguintes fatores:
• A estrutura fundiária é fragmentada, com grande número de pequenos proprietários, sem poder econômico, incapazes de explorar de forma mais rentável suas terras ou mesmo de praticar a retenção especulativa.
• O estigma da presença dos presídios provocou a desvalorização dos imóveis no município, impedindo o surgimento de empreendimentos imobiliários destinados a população de nível de renda mais elevado.
• A topografia é favorável, com predominância de declividades próximas de 10%, o que tornava extremamente baixo o custo de abertura de ruas, único serviço oferecido pelos loteadores.
• Ausência de normas municipais para controle de loteamentos, pelo menos até a década de 70.
A ocupação do município de Ribeirão das Neves, ao longo dos últimos 50 anos, se deu tanto na forma de invasão da mancha urbana do aglomerado como também através do inchaço do seu núcleo sede com o crescimento periférico A invasão ocorreu via Venda Nova, na região de Justinópolis, ou mesmo na região da BR-040, na divisa com Contagem. Esta situação é diferente de outras cidades que sofreram as conseqüências da formação de periferias em seu território, mas que preservaram seus núcleos sede deste processo.
Este talvez seja o aspecto mais cruel e que dá a verdadeira dimensão do processo de periferização que se consolidou em Ribeirão das Neves. Ou seja, a rigor, seu núcleo sede é uma periferia nas mesmas condições das demais periferias que se formaram em seu território.
A concentração de uma população de baixo nível de renda, que atingiu a marca de 246 846 habitantes no Censo de 2000, a falta de uma base econômica capaz de absorver pelo menos parte desta força de trabalho no local de assentamento, a falta de recursos públicos para fazer frente à demanda de serviços e infra-estruturas decorrentes desta ocupação acelerada, são fatores que desenham um quadro de misérias, carências e exclusão, que tende a se agravar nas próximas décadas.
As taxas médias anuais de crescimento demográfico deste meio século dão a dimensão estarrecedora deste quadro. Entre 1950 e 60, 8,87%, entre 1960 e 70, 4,27%, entre 1970 e 80, o índice absurdo de 21,36%, entre 1980 e 91, 7,16%, entre 1991 e 96, 6,49%, e finalmente entre 1996 e 2000, 5,80%. Segundo dados preliminares, a população de Ribeirão das Neves é hoje de 299.847 habitantes.
Localização geográfica:
O município de Ribeirão das Neves tem 154,67 km² de área e está localizado a noroeste de Belo Horizonte, a cerca de 32 km de distância da capital, ocupando aproximadamente 4,1% do setor norte da Região Metropolitana e tem por limites: Belo Horizonte, Contagem, Pedro Leopoldo, Esmeraldas e Vespasiano. As vias de acesso que servem ao município são a BR 040, MG 424 e MG 432.
O município apresenta uma altitude máxima de 1 019 m, na cabeceira do Córrego do Café. A menor cota altimétrica, por sua vez, é registrada na foz do Córrego Água Fria, com 730 m. A sede municipal, situada a 800 m de altitude, está entre as coordenadas geográficas de 190 45` 59`` de latitude sul e 440 05`12`` de longitude oeste.
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